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Ana Maria Ladeira Torres


Título da Dissertação de Mestrado:

ARTES COMO CONTO


Professor Orientador:

Prof° Dr° Marcus Alexandre Motta


Ano:

2007


Resumo:

Ao ingressar no mestrado de artes, na linha de pesquisa “Processos Artísticos Contemporâneos”, o meu intuito era examinar mais detalhadamente as articulações que levam à materialidade das obras de arte e observar as diferentes formas dos raciocínios que refletem os pressupostos que as produziram.

A princípio, minha idéia era concentrar meu estudo tanto no exame das características próprias dos trabalhos individualmente, como também na relação com o contexto cultural onde a obra aconteceu, tentando estabelecer aproximações e idiossincrasias com outros artistas de outras culturas. Por outro lado, queria entender como convivem as múltiplas produções artísticas num mundo cada vez mais massificado e, ao mesmo tempo, tão heterogêneo.

Desde o início, o foco de interesse se dirigia à produção de artistas que, influenciados por Duchamp, optaram por refletir sobre a arte e sobre a história ainda viva, conscientes do afrouxamento das categorias e dos desmantelamentos das fronteiras interdisciplinares, sugeridas desde a antiarte. Assim, dirigi a atenção para a produção de artistas que propuseram como obra de arte um jogo recíproco entre realidade e idéias.

Podemos dizer que, aos poucos, a partir do estudo da produção de artistas brasileiros como: Lygia Clark, Hélio Oiticica e Cildo Meireles, e da compreensão de sua importância quanto ao aspecto da pluralidade de modos artísticos de inteligência, por vezes desprovido até mesmo das orientações da antiarte, o meu projeto inicial se re-estruturou, tendo se concentrado na investigação da múltipla produção contemporânea de artistas que, influenciados pelos acima citados, reinventaram o que para eles seria arte. De modo que, é esse o principal enfoque da dissertação, que se inicia apresentando suas razões relacionadas à impossibilidade das práticas artísticas, em sua dispersão e multiplicidade, serem reduzidas por um conceito teórico que subordine a variedade e a descontinuidade. Como pressupostos teóricos são examinadas as idéias de Arthur Danto apresentadas no livro After the End of Art – Contemporary Art and the Pale of the End of History, como, também, as idéias de Hans Belting elaboradas nos livros Art History After Modernism, e, The End of the History of Art. Com o intuito de verificar sua equivalência na obra de arte, tais pressupostos são, ainda, comparados a posicionamentos afins e discordantes. Findo ao que, se justifica a abordagem da dissertação via uma obra literária, onde o conto e a arte se encontram. Espaço que reconheço como lugar da absolutização do fragmento, no sentido da tradição da arte.

Considerando que o esgotamento dos conceitos nos leva ao fim de uma narrativa, e considerando, também, as idéias de Foucault sobre as teorias, o primeiro capítulo desta dissertação utiliza a obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, como respaldo teórico, perseguindo todas as combinações de “mira, veja” que são absolutizadas por Riobaldo. E isso se dá, porque acredito que esse artifício me permite dizer o que faço como trabalho de arte, exemplificado, neste capítulo, pelo OATIRADOR, além de me proporcionar inseri-lo nos problemas relativos ao ato artístico contemporâneo, no Brasil, no século XXI.

O segundo capítulo apela para a idéia de Sertão proveniente do conto de Guimarães Rosa. E, é dedicado à exploração de um plano de imanência da obra DUPLO +. Pois, se estou fotografando o espelhamento na floresta Amazônica, tomando o Sertão de Guimarães como elemento único de imanência para compreender os fenômenos é porque enxergo ali, a existência de uma mesma freqüência  captada na cidade através do ato fotográfico.

Com intuito de dar maior visualidade às questões abordadas, a dissertação se faz acompanhar de diversas imagens dos trabalhos nela discutidos.


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Artes Como Conto